Elisângela B. Taborda
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Fraudes digitais e a vulnerabilidade dos investidores

Golpes com Criptomoedas

O mercado de criptomoedas cresce rapidamente no Brasil e no mundo. Paralelamente, aumentam as fraudes que exploram desconhecimento técnico, carência de controles em plataformas e técnicas de engenharia social.

Os criminosos combinam perfis falsos, sites e aplicativos que aparentam legitimidade, manipulação psicológica e, em muitos casos, instruções para que a própria vítima autorize acessos ou transfira valores.

Apesar do caráter descentralizado do ecossistema, a blockchain é pública e transparente. Todas as transações ficam registradas de forma imutável. Isso viabiliza rastrear o caminho dos ativos e sustentar medidas jurídicas eficazes quando as criptomoedas chegam a carteiras ou a exchanges identificáveis.

2. Principais modalidades de golpes com criptoativos

Falsa corretora ou plataforma de investimento cripto

Criminosos criam sites e aplicativos que simulam exchanges legítimas e prometem lucros altos com robôs traders, tokens recém-lançados ou estratégias exclusivas.

O ambiente mostra saldos e ganhos fictícios para estimular novos aportes. No momento do saque, surgem bloqueios, taxas inventadas ou simplesmente desaparecimento dos operadores.

Sinais de alerta

  • Promessas de rentabilidade rápida e garantida.
  • Plataforma sem lastro reputacional, sem dados de registro e sem política clara de atendimento.
  • Depoimentos genéricos e prints de supostos lucros sem verificação.
  • Exigência de pagamento adicional para liberar saque.

Golpe abate do porco (Pig Butchering)

O golpista constrói relacionamento emocional com a vítima em redes sociais ou aplicativos de mensagens, ganhando confiança ao longo de dias ou semanas.

Em seguida, conduz o investimento para plataformas ou carteiras controladas pelo grupo. Os valores são depositados em etapas crescentes até que, no pedido de resgate, a vítima constata que não há retorno.

Sinais de alerta

  • Aproximação inesperada com narrativa pessoal persuasiva.
  • Vínculo emocional antes de qualquer proposta de investimento.
  • Indicação de plataformas pouco conhecidas apresentadas como exclusivas.

Phishing e acesso remoto a carteiras digitais

Links falsos enviados por e-mail, SMS, WhatsApp ou Telegram imitam carteiras como MetaMask e Trust Wallet, ou corretoras populares.

A vítima é induzida a informar seed phrase ou a instalar software de acesso remoto. Com isso, os criminosos assumem o controle da carteira e transferem rapidamente os ativos.

Sinais de alerta

  • Mensagens urgentes solicitando verificação de segurança ou atualização obrigatória.
  • Pedido de seed phrase ou chave privada.
  • URLs estranhas que imitam visualmente sites oficiais.

Golpe do pool de mineração

Prometem participação em grupos de mineração com rendimentos automáticos. Para configurar a carteira, pedem acesso remoto ao dispositivo.

Durante a assistência, coletam dados sensíveis e desviam os criptoativos sem que a vítima perceba.

Sinais de alerta

  • Garantia de lucro diário sem risco.
  • Oferta de suporte via acesso remoto ao celular ou computador.
  • Solicitação de seed phrase, chaves ou senhas.

Golpe do falso professor

Perfis que se apresentam como mentores ou analistas exibem certificados, reportagens e depoimentos que, em geral, são forjados.

Após conquistar confiança, direcionam a vítima a plataformas próprias ou a links que conectam a wallet a contratos maliciosos, facilitando o desvio dos ativos.

Sinais de alerta

  • Ostentação de resultados irreais e autoridade não verificável.
  • Pressa para aderir a uma suposta oportunidade única.
  • Orientação para conectar a carteira em links que não pertencem a marcas oficiais.

Golpe do grupo de investimentos

Grupos em aplicativos de mensagens simulam comunidades de investidores de sucesso. Diversos perfis falsos publicam prints e elogios ao mentor, criando pressão social.

A vítima é levada a transferir valores para carteiras suspeitas ou a depositar em plataformas fictícias. Depois, surgem taxas adicionais para supostos desbloqueios até o sumiço dos criminosos.

Sinais de alerta

  • Depoimentos padronizados e repetidos.
  • Ambiente de euforia e urgência para investir.
  • Solicitação recorrente de novos depósitos para liberar saques.

Golpe do roubo de celular com acesso a criptoativos

Com o aparelho desbloqueado ou com senhas salvas, criminosos acessam carteiras e corretoras, redefinem credenciais, desativam autenticação em dois fatores e esvaziam a wallet em minutos.

Sinais de alerta

  • Seed phrase, chaves ou senhas armazenadas no próprio aparelho.
  • Falta de autenticação de múltiplos fatores e de bloqueio remoto.
  • Recuperação de conta facilitada via e-mail ou SMS sem camadas extras de segurança.

Arbitrage bot scam

Golpe baseado em supostos bots de arbitragem em DEX. Conteúdos em redes sociais ensinam a interagir com contratos que prometem retorno automático.

Na prática, os contratos são maliciosos e desviam os valores enviados.

Sinais de alerta

  • Divulgação de contrato sem auditoria independente.
  • Promessa de arbitragem constante sem risco.
  • Recomendação para aprovar permissões amplas de gasto do token sem justificativa técnica.

Direitos da vítima e responsabilidade das corretoras

Ao contrário do senso comum, criptomoedas são rastreáveis. A blockchain é pública e transparente, registrando todas as transações de forma imutável. Um escritório especializado rastreia o caminho dos criptoativos desviados, identificando carteiras intermediárias até chegar à carteira de destino.

  • Se os valores chegarem a uma exchange nacional, é possível requerer judicialmente o bloqueio imediato da conta e a identificação do usuário responsável, ampliando as chances de recuperação.
  • Se os valores chegarem a uma exchange internacional, existem medidas específicas. Em situações envolvendo USDT, emitido pela Tether Limited, pode-se requerer que os tokens desviados sejam queimados e que a emissora emita valor representativo equivalente em nova carteira indicada na decisão judicial.

Muitas exchanges falham em seus deveres mínimos de segurança e compliance. Entre as falhas recorrentes estão KYC insuficiente, abertura de contas com documentação questionável, ausência de monitoramento de transações atípicas e demora em responder a solicitações urgentes. Essas omissões configuram falha na prestação do serviço, ensejando responsabilização com base no Código de Defesa do Consumidor.

O que fazer imediatamente após cair em golpe com criptomoedas

  1. 1. Preservar provas

    Reúna prints de conversas, e-mails, URLs, endereços de carteiras, hashes de transações e extratos.

  2. 2. Notificar a plataforma

    Abra protocolo formal junto à exchange ou serviço utilizado e anote números de atendimento.

  3. 3. Registrar boletim de ocorrência

    O BO formaliza a fraude e respalda medidas administrativas e judiciais.

  4. 4. Evitar novas movimentações

    Não troque ativos nem faça transferências sem orientação técnica, para não prejudicar o rastreio.

  5. 5. Procurar advogado especialista

    A atuação rápida aumenta a chance de bloqueio em exchanges e de adoção de medidas adequadas no exterior.

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Perguntas frequentes

1. É possível rastrear criptomoedas mesmo que passem por várias carteiras?

Sim. A transparência da blockchain permite seguir a trilha de transações até pontos de conversão, como exchanges. Esse mapeamento técnico embasa pedidos de bloqueio e de identificação dos titulares.

2. O banco pode ser responsabilizado se os valores foram parar em contas de terceiros?

Pode. Se a conta de destino vinculada ao golpe foi aberta sem diligência ou utilizada para finalidade ilícita, há falha de segurança. A responsabilidade é objetiva pela má prestação do serviço, com fundamento no Código de Defesa do Consumidor.

3. E se a exchange for internacional?

Algumas plataformas mantêm cooperação internacional, possibilitando o cumprimento de ordens judiciais estrangeiras. Em casos envolvendo USDT, emitido pela Tether Limited, é possível requerer que os tokens desviados sejam queimados e que a emissora deposite valor representativo equivalente em nova carteira indicada na decisão judicial.

4. Precisa de boletim de ocorrência mesmo após avisar a exchange?

Sim. O BO comprova a fraude, auxilia investigações e fortalece pedidos judiciais de bloqueio e de obtenção de dados.

5. Qual é o papel do advogado em golpes com criptoativos?

O advogado especializado domina a tecnologia de blockchain e rastreia, documenta e demonstra o caminho das criptomoedas até a carteira de destino, identificando endereços intermediários. Com esse mapa técnico, aponta falhas da instituição envolvida e orienta medidas administrativas e judiciais para bloqueio e responsabilização civil.

O que concluir sobre golpes com criptomoedas

Golpes com criptoativos combinam persuasão, aparência de legitimidade e lacunas de segurança. Ainda assim, há caminho técnico e jurídico para reagir: o rastreamento em blockchain identifica o percurso dos ativos, e medidas judiciais podem bloquear contas em exchanges nacionais ou, quando cabível, queimar e substituir tokens desviados no exterior.

Agir com rapidez, preservar provas e contar com atuação especializada é decisivo para aumentar as chances de recuperação e responsabilização dos envolvidos.

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